terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu queria ter o coração maior do mundo...


Eu queria ter o coração maior do mundo. Nele caberia tudo ou quase tudo. Poderia abrigar diversos sentimentos: saber perder, ficar feliz quando ganhar e não com medo da conquista escapar. Colecionar potes de segurança, porque ando instável e isso me causa tristeza. Ter uma bula sem tamanho para reconhecer homens corretos. Grandes vontades para desfrutar momentos bacanas com os amigos. Conjunto de latinhas sem validade de consumo com conteúdo para perceber erros e saber me perdoar.

No quarto dos fundos eu trancaria o orgulho, a onipotência. Feridas aos borbotões. Poria abaixo o closet de máscaras que escondem a cara pálida de minha identidade machucada e criaria um estúdio de maquiagem. E o número imenso de sapatos que não me levam a lugar algum, sem pena, substituiria por botas de combate. Claro, inúmeros sapatos de cristal.
Esse coração podia ser dilatado o suficiente para abrigar as perdas, a saudade que sinto por você quando desaparece de mim. Estocaria balas de oxigênio para abrandar a falta de fôlego quando não consegue expressar um pulsar sem se sentir fragilizado. Queria que fosse o coração maior do mundo para que depois do sofrer reagisse como um guerreiro.
Um coração assim me ajudaria bastante. Seria mais descontraída quando encontrasse o único homem que me fez sentir mulher. Que se danem os dogmas de segurança dos cofres de minha alma. Eu explodiria todos.

‘Um coração tamanho GG imaginário povoa a minha mente. Meu espírito cria asas e voa em liberdade. Quero ser livre
Um coração maior do mundo poderia guardar munições para quando tivesse saudade de ti, homem da minha vida. Oferecer o vigor necessário para abrir os olhos nas manhãs em que sinto que o tempo nada mudou o que sinto por você. Injetar mais sangue em meus passos para que quando caminhasse fosse mais firme em minhas decisões.
Se pudesse ter o coração maior do mundo espalharia o despudor, pregaria fotos em preto e branco do sexo rasgado que fizemos em suas paredes vermelhas. Nossa! Seriam muitas. Projetaria slides das nossas vontades absurdas. Desenharia seus lábios carnudos no hall de entrada, assim sempre queimaria por dentro de desejo...
TE AMO.
Da tua doce Cantarina.

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